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quarta-feira, 4 de abril de 2018

Ainda Assim, Eu Me Levanto - Maya Angelou

Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.
Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.
Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.
Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh'alma enfraquecida pela solidão?
Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.
Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.
Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
Um diamante onde as coxas se juntam?
Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.
Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho
E a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto...
Eu me levanto.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Veneno Sagrado - Maria do Carmo Lobato

Tu és uma puta,
Saudável,
Invejável,
Desejável,
Adorável.
Não és uma puta de bordel
E a cascavel que te habita
Possui um veneno muito especial,
Que, por incrível que pareça, não faz mal
E extasia os teus amantes de uma forma tal,
Que eles contigo se comprazem tal qual
Feras soltas na floresta
E contigo fazem a festa
De te quererem
Por apenas uma noite de seresta,
Pois o prazer que a eles propicias
Nas tuas noites de orgia
Os assusta
E por isso eles fogem de ti,
Pois a eles custa
A degusta deste prazer inexorável.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Mulher - Andréa de Avellar

Dispenso os rótulos.
Por favor, nem pudica nem “putica”.
Nem Sartre, nem Sutra,
nem santa, nem prostituta. Sou mulher.
e sou mulher quando descanso o antebraço na anca
e meu braço flutua, por sobre minha nua cintura
que enlaço em cintos, laços, enlaces, abraços.
Sim, sou mulher.
quando me deito, de cansaço, sono ou desejo
e me refaço em sonhos ou me desfaço em beijos...
Quando escolho o rosa e a rosa,
sou poema e prosa, putz... sou mulher.
quando calço os saltos, visto as saias,
misturo-me a indecência da transparência...
bordados, rendas, brocados.
Pois é, sou mulher.
entre raios, braços, juízos, julgamentos, prantos,
sorrisos, bancos, carros, cigarros, praças, piadas,
cantadas, versos, amassos, canções, ilusões, verdades,
sonhos, choros, sisos, crises, emoções,
haicai, sonetos, acrósticos...
Entra sonsos, adoráveis, pernósticos, 
escravos, senhores, dores, caças, caçadores...
Nossa! Eu sou mulher!!!
E quando for lembrar de mim...
Não force a memória...
Pouco importa, nome, sobrenome, telefone, história...
Lembre apenas que fui o melhor que sei ser...
Uma, mais uma...apenas uma...
Mulher.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Rupi Kaur

Eu não fui embora
porque
eu deixei de te amar.
Eu fui embora
porque
quanto mais eu ficava,
menos
eu me amava.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018