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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Soneto À Luz De Velas - Simone Barbariz

Velas iluminavam o ambiente
E nossos olhos brilhavam
Diante nossos corpos nus
e incandescentes
Impressão que as chamas davam
Começamos um jogo de exploração
Mãos percorrendo dorso
Causando inebriante sensação
Trazendo à mente um novo universo
Olhos ardendo em desejo
Bocas entre-abertas...
Meu corpo em seus braços despejo
Rolamos pelas cobertas
Pelo mundo temos desprezo,
Pois nossas almas somente
para o nosso amor estão abertas...

Crime - Simone Barbariz


Testemunhas: as quatro paredes.
Local do crime: a cama.
Réus: eu e você.
Crime cometido: amor louco e desenfreado,
Amor sem limites,
Amor em todas suas formas possíveis,
Em todas as formas em que éramos compatíveis.

Acoplados com a perfeição de dois módulos espaciais,

Onde qualquer erro milimétrico,

Compromete o sucesso da missão...
Missão cumprida...

A missão foi um sucesso total,

Pois dois corpos tornaram-se um!

Não mais existia eu e você,

Mas, sim, eu-você...

Cometemos um crime perfeito!


Cosmocópula - Natália Correia


I
Membro a pino
dia é macho
submarino
é entre coxas
teu mergulho
vício de ostras
II
O corpo é praia a boca é a nascente
e é na vulva que a areia é mais sedenta
poro a poro vou sendo o curso da água
da tua língua demasiada e lenta
dentes e unhas rebentam como pinhas
de carnívoras plantas te é meu ventre
abro-te as coxas e deixo-te crescer
duro e cheiroso como o aloendro.

Foi Um Beijo... - Martha Medeiros


Foi um beijo
onde não importava a boca
só tuas mãos quentes
me apertando pelas costas
nada estava
acontecendo na minha frente
e a ansiedade
que havia não era pouca
teus dedos perguntavam
pra minha blusa
se meu corpo
acolheria um delinquente
descoladas
as línguas um instante
minha resposta
saiu um tanto rouca

Minha Doce Puta - Douglas Mondo


No olhar mais meigo,
nos lábios mais pecadores
pousei minhas venturas
e todas minhas dores.
Aqueles seios puros quisera,
mas já foram bebidos
por todas as bocas da terra.
Pouco me importa.
Sou feliz quando abre a porta
e etérea se escancara
em pernas de formosura e vida torta.
Mesmo o cheiro barato em teu corpo
de perfume de esquina de mil homens,
não tiram o cristalino sorriso da tua infância.
E me lambuzo das tuas fantasia,
deposito meus versos em teu corpo
e te faço musa das minhas poesias.
Minha doce menina puta!

Mais - Liz Christine


Quero dormir
Esquecer
Escrever
Sorrir
Lua cheia
Que semeia
Não quero te exaurir
Chega de gozar
Pare de provocar
E vamos dormir
Mas se você aguentar
Por que não...
até o dia clarear?


Traição - Silvio Helder Lencioni Senne


Viajo até o ponto mais arrepiante da tua nuca
Percebo o endurecimento do seu corpo
Teus seios
Teus braços
Tua boca
Arrepios
Calafrios
Minha mão decorando teus poros
A ponto de contá-los
Um a um
Conheço o gosto de cada centímetro
Beijos
Cheiros
Misturas
Sinto tremores
Amores
Fisgadas
Calafrios
Minha mão decorando teus pelos
Conheço-os um a um
Cobertura delicada
Da meiga e rija vulva
Que sabe dizer o meu nome
Que me beija
Já não sei onde fica a sua boca
Língua
Mistura
Carnes em estado de fusão
Corpos em estado de tesão
Gozo
Gritos
Beijos
Mentiras
Promessas falsas
Traição

O Meu Amor - Chico Buarque


O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele inteira fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba malfeita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita, ai
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo fosse a sua casa, ai
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz


Cio - Gloria Sartore


Entre as pernas te prendo
serpente e presa em duelo
Instintivos golpes
em obscena estratégia
– despudorada arma
Vitoriosa
bebo em teu cálice
o sêmen
...chove sobre o cio.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Sexo Virtual - Ivaldo Gomes


Como que se possível fosse...
Como se possível é
Assim te deixar louca
Rouca de desejos

Beijos.
Se a imaginação não existisse...
O coração não sentiria
O pulso não pulsaria
E os dedos, ávidos de desejos
Delineasse as curvas,
Os gestos, no teclado

Noite a dentro.
Vadios de nós...
Nos lençóis virtuais
Amar o não visto
Dos gemidos dados
Ouvidos ao longe

Oceanos a dentro.
E nós, desse jeito...
Sem jeito algum
Procurando um jeito de
Se conquistar

Conquistar-se.
E nós reinventando a roda...
Nos beijos, desejos,
Vontades sem fim.
Como que se fosse possível
Matar todas as sedes

Desse nosso sentir.
Sexo Virtual?
Onde?


Inebriantes Na Dança Do Amor - Ana C. Pozza


Minha mente é só desejo:
Minha boca clama pelo teu beijo,
Meu corpo pulsa pelo teu toque,
Meu ser estremece pelo teu olhar.
Eu sou, inteiramente,
lua, nua, tua.
Desejo acima de desejo
Corpo sustentando corpo
Alma comportando alma.
Tu infinitamente
no meu íntimo...
Nós dois
Inebriantes
Na dança do amor
A tocar
A sentir
A gozar
Na explosão do depois...

Fetiche - Liz Christine


Fetiches?!
Doce de leite pastoso delicioso
Fácil de espalhar

Irresistível se lambuzar
Piercing
Língua
Umbigo
Barriga masculina

Quadris femininos
Três quilos de chocolate branco derretidos
Quentes escaldantes
Despejados sendo
Em maravilhosos corpos humanos
Voraz
Insaciável
Compulsiva
Com doces?
Só com doces!!...


Nota Biográfica - Gastão de Holanda


Na leitura do abismo e seus açores
Teci a minha vida, entre moinhos
Atirei-me à ventura dos caminhos
E neles cultivei as mores dores.
Jamais ultrapassei os domadores
De outra profissão senão de espinhos,
Não apurei o faro dos focinhos
Mas despertei o mito dos amores.
Embora da maldade dos tiranos
Compusesse uma ópera canina,
Eu tive a recompensa do teu ânus.
Tesão com castidade não combina
Nem fodas retardadas pelos anos:
Ser puto de mulher, eis minha sina.

Após O Banho, Nua - Fernando Py


Após o banho, nua
ainda, o corpo úmido
ao meu encontro, visão,
relembro, cálido êxtase,
os seios entre vistos
no decote frouxo, agora, nua,
toalha molhando-se, ressurgem
após o banho,
fremindo, suave embalo, avidez
de língua e mãos, nua, vens,
perfume, sulcos na pele,
ansiada espera, curvas, a entrega
ao meu olhar, bocas, rosa
túmida, pétala, sucção, espuma,
resplandeces para mim, nua,
após o banho.

Sensual - Belchior


Quando eu cantar
quero ficar
molhado de suor
e por favor não vá pensar

que é só a luz do refletor

será minha alma que sua
sou um sol negro de dor
outro corpo a pele nua
carne músculo e suor
como um cão que uiva pra Lua
contra seu dono e feitor
bicho um animal ferido
no dia do caçador
humaníssimo
gemido

raro e comum como o amor
Quando eu cantar
quero deixar você
molhado de amor
e por favor não vá pensar

que é só a noite ou o calor
Quero ver você ser
inteiramente tocada
pelo licor da saliva
a língua o beijo a palavra
minha voz quer ser o dedo
na tua chaga sagrada
uma voz feita de espinho
espora em teus membros cansados
sensual como o espírito
ou como o verbo encarnado


Soneto Da Devoção - Vinícius de Moraes


Essa mulher que se arremessa, 
fria 
e lúbrica aos meus braços, 
e nos seios me arrebata 
e me beija 
e balbucia Versos,
votos de amor 
e nomes feios.
Essa mulher, 
flor de melancolia
que se ri dos meus pálidos receios
A única entre todas 
a quem dei os carinhos 
que nunca a outra daria.
Essa mulher 
que a cada amor proclama
a miséria e a grandeza de quem ama
e  guarda a marca dos meus dentes nela.
Essa mulher é um mundo! 
— uma cadela talvez... — 
mas na moldura de uma cama
nunca mulher nenhuma foi tão bela!

Elogio Ao Pecado - Bruna Lombardi


Ela é uma mulher que goza
celestial sublime
isso a torna perigosa
e você não pode nada contra o crime
dela ser uma mulher que goza
você pode persegui-la, ameaçá-la
tachá-la, matá-la se quiser
retalhar seu corpo, deixá-lo exposto
pra servir de exemplo.
É inútil. Ela agora pode resistir
ao mais feroz dos tempos
à ira, ao pior julgamento
repara, ela renasce e brota
nova rosa
Atravessou a história
foi queimada viva, acusada
desceu ao fundo dos infernos
e já não teme nada
retorna inteira, maior, mais larga
absolutamente poderosa.

A Uma Mulher Amada - Safo


Ditosa que ao teu lado
só por ti suspiro!
Quem goza o prazer de te escutar,
quem vê, às vezes,
teu doce sorriso.
Nem os deuses felizes
o podem igualar.
Sinto um fogo sutil
correr de veia em veia
por minha carne,
ó suave bem-querida,
e no transporte doce
que a minha alma enleia
eu sinto asperamente
a voz emudecida.
Uma nuvem confusa
me enevoa o olhar.
Não ouço mais.
Eu caio num langor supremo;
E pálida e perdida
e febril e sem ar,
um frêmito me abala...
eu quase morro...
eu tremo.


Arte De Amar - Manuel Bandeira



Se queres sentir
a felicidade de amar,
esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus
ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus – ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo
entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem,
mas as almas não.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Excitação Poética - Maraína Bastos


Quando escrevo, eu me excito
Só, de amor, pensar em ti...
Sinto as entranhas ardendo,
Vou com prazer remoendo
O que contigo vivi.
Ondas de calor me afagam,
Sofro a dor dos desejos.
E cada verso transpira
A excitação que me inspira
A buscar mais por teus beijos.
Cada poema que faço
É como amor fazer:
Tomar-te em mim, amado,
Sentir teu corpo adorado
Penetrando em meu querer...
Rolam as letras que traço
Como rolamos nós dois...
E permanecem mostrando,
Nosso prazer expressando
Antes, durante... e depois...

In(can)Descente - Vanderli Medeiros


Suga com sede
O líquido escorrido
Abaixo do umbigo
Ascende
Indecentemente
Sob os gemidos
Pelo toque
Pela sucção
O desejo em erupção
Com a ponta da língua
Devora a ânsia da paixão
Já incandescente
De desejos
Demente...
Então...
Devora-me
Urgentemente!

Loucuras - Cândido


Pousei um beijo
No fundo do teu olhar 
E teus lábios procuraram
Os meus para beijar. 
E enquanto tua boca
Me lambuza, 
Solto os botões
Da tua blusa 
E caem-me nas mãos
Teus seios,
Sempre macios,
Sempre cheios.
Beijo a pele
Do teu ventre,
Úmido, suado,
Com um gesto de língua,
Lento, arrastado. 
Então te relaxas,
Te amoleces, te afrouxas, 
Quando minha boca 
Se aninha no interior
Das tuas coxas. 
Te abres feliz, 
De par em par,
Como quem diz:
Vem! 
Podes entrar. 
Não me faço rogado, 
E me deslizo para dentro
Do teu salão rosado.
Eu, que tinha sido romântico,
Meigo, amoroso, 
Viro um louco tarado,
Furioso 
E golpeio em ritmo fremente 
A fenda que tens
No baixo ventre.
A cada arremetida
Do meu golpeio, 
Estremece a estrutura
Do teu seio. 
 Mas não ficas passiva,
Nas retrancas. 
E contra atacas 
Com violentos
Abanões de tuas ancas. 
Dizes palavras de amor
E impropérios 
Que tua voz baralha 
Como conquistador
De impérios 
Gritando eufórico
No auge da batalha. 
Então tudo pára
Por um momento…
Me pedes que saia
Do teu salão rosado 
E entre no teu salão cinzento. 
Surpreendido,
Chego a hesitar...
Mas tu te empurras para mim 
E obriga-me a entrar. 
Sentes um prazer mais intenso,
Dolorido
A diluir-se na voz
Do teu gemido. 
Num espreguiçar felino,
Sinto teu corpo estremecer
Como se a superfície da alma
Se estivesse a derreter.
Com um derradeiro golpe
Mais profundo e atrevida 
Faço explodir meu fogo
De artifício colorido. 
Há lágrimas de prazer
No teu olhar 
Que com minha língua recolho
E vou saborear, 
Como pérolas
Brilhantes de verdade 
Que a gente guarda
Para a posteridade.