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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A Outra - Magda Almodóvar


Ela sempre se interpõe entre nós!
Cada vez que você se entrega um pouco mais,
Fica sem me procurar por longo tempo.
Quando a saudade aperta, ouço sua voz,
Mas não saem de sua boca confissões de amor,
Palavras de bem querer.
No gozo conjunto já ouvi que sou sua vida, sua paixão,
Uma única vez porém,
Agora só o som de sua respiração ofegante,
E o tatear meu corpo delicadamente,
Como a me memorizar.
Ela nos atrapalha!
Em nossos encontros somos três:
Você, eu e... ela!
Que faz com que perca o espontâneo,
Transforme tudo em jogo.
Inconfessadas sensações batem em seu peito
E latejam em suas têmporas!
Seu olhar me diz amor,
sua boca declara racionalização.
Ela, sempre ela!
Fantasma a nos perseguir,
Rédea que freia.
E é falta de tempo,
Excesso de trabalho,
Filhos para se ocupar,
Mais e mais a aprender...
Desculpas!
Ela não deixa você me amar!
Ah! Se ela fosse mais jovem!
Ah! Se ela fosse mais inteligente!
Ah! Se ela fosse mais quente!
Ah! Se ela fosse gente!
É difícil com ela lutar!
Não sei mais que armas usar!
Carinho? 
Já dei!
Fantasias sexuais?
A todas me entreguei!
Pegá-lo pelo estômago?
Doces receitas já usei!
Mostrar indiferença?
Até isto já tentei!
Desisto!
Ela é mais forte,
Já o acompanha faz muito tempo!
Separar-se dela não está em seus planos,
E dividir você, não consigo,
E não conseguirei.
Em triângulo não viverei!
Abrace-a,
Chore minha ausência.
Pelo menos um pedaço querido
Em sua vida sempre serei.
E ela, a amargura,
Marca de amores desastrados,
Não sou eu quem matarei.
É preciso que você assuma o risco
De amar e ser amado,
De assumir a paixão,
De esquecer o passado,
De dar ao nosso caso
O doce sabor de só querer,
Sem medo de se perder.
Ela ou eu?

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O Chão É A Cama - Carlos Drummond de Andrade


O Chão é a cama para o amor urgente,
O amor não espera ir para a cama.
Sobre o tapete no duro piso,
a gente compõe de corpo a corpo 
a última trama.
E para repousar do amor, 
vamos para a cama!