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quarta-feira, 22 de março de 2017

Fome - Pablo Neruda

Tenho fome de tua boca, de tua voz, de teu pêlo,
e pelas ruas vou sem nutrir-me, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desequilibra,
busco o som líquido de teus pés no dia.

Estou faminto de teu riso resvalado,
de tuas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra de tuas unhas,
quero comer tua pele como uma intacta amêndoa.

Quero comer o raio queimado em tua beleza,
o nariz soberano do arrogante rosto,
quero comer a sombra fugaz de tuas pestanas

e faminto venho e vou olfateando o crepúsculo
buscando-te, buscando teu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratúe.

2 comentários:

  1. Boa tarde
    Tenha um bom fim de semana e que tudo de bom esteja do teu lado, adorei o poema e tua escrita é realmente muito excitante e deixa a pele quente...beijos!

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    Respostas
    1. Oi, Almeida...
      Obrigada pela visita e carinho.
      Espero que tenha um findi bem gostoso.
      Pablo Neruda é sempre um tesão de ler...rsrsrs*
      Beijinhos

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